sábado, 14 de março de 2026

Luis Fernando Veríssimo

Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere... Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha. Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos. Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem! Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde! E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda! Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna. Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca! Conversa é melhor do que piada. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Sonhar é melhor do que nada! Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 11 de março de 2026

O MESMO CENÁRIO

Deparei-me com esta foto e chorei! Todos os países têm os seus militares, homens ou mulheres que em nome da sua pátria cumprem um dever. Não me vou exceder nos prós e contras. nas mazelas deixadas, se sim ou não. Apenas, um desabafo meu. Esta foto... fez-me retroceder ao passado! Eu vi o que muitos viram Eu sofri o que muitos sofreram, fardados ou não... eram portugueses, eram angolanos homens simples, simples homens dando o último colinho a quem não resistiu aos quais se aconchegavam num choro compulsivo! A...mesma foto... neste caso um americano tão menino, tão fragilizado dando o último aconchego a uma criança iraquiana! A...mesma foto... espalhadas por esse mundo fora onde paga o justo pelo pecador! Mas apesar de militares, são jovens, com familiares sofrendo por eles neste mundo de reinantes tão crápulas! São afinal os nossos filhos, que bem ou mal e na maioria das vezes debaixo de drogas, tudo fazem! A... mesma foto... acolho-te no meu colo a ti soldado... porque a morte já acolheu esse ser indefeso e sabes porquê? porque... ainda hoje tenho medo, muito medo desse cenário! Fatyly

quinta-feira, 5 de março de 2026

terça-feira, 3 de março de 2026

SEM TITULO

Já fui árvore altaneira, De fundas raízes, frondosa. Já dei sombra, dei madeira, Consideraram-me a mais formosa. Mas veio um vento de Norte Um temporal negro, medonho Que me sacudiu tão forte, E me torceu num remoinho, Fazendo que visse o fim, anunciando a morte. Hoje, jazo nesta margem. Já sou só um tronco aberto. Apodrecendo pouco-a-pouco. E vou assistindo à passagem, Deste tempo "encoberto", Destas águas e deste povo.
Postado por Bartolomeu

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

DESAFIO DE ESPERANÇA SEMPRE POSITIVA

Na boca de muitos a palavra dócil tão falseada, que esmagam a frieza da preeminência de quem usa uma torrente de murmúrios como íman maléfico. A caminhada é dura e já longa e as coxas dão sinal de paragem. Sentada no chão, revejo traços de fragmentos de um inverno rigoroso que desaba num coração bombeado por sangue já tão desgastado. Afinal sou matéria...mas também sou paixão. Levanto-me num gesto rápido, solto risos afugentando possíveis invasores numa luta que não dou tréguas e grito: A vida é a melhor prosa feita de folhas diárias... coloridas e outras debotadas por lágrimas! E num "DESAFIO de esperança" o sol voltou a brilhar! Fatyly

domingo, 22 de fevereiro de 2026

QUEM ME DERA

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada, E que para de onde veio volta depois Quase à noitinha pela mesma estrada. Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas ... A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco... Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco. Alberto Caeiro